terça-feira, 20 de novembro de 2012

Cartas


Valinhos, 19 de novembro de 2012
Caro eu.
Eu sei que não é fácil. Nada, na verdade, é fácil. Eu sei que as preocupações aumentam a cada dia que se passa. Eu sei que a sua -que a nossa- mente trabalha a cada minuto para resolver os problemas, diminuir as aflições.  Eu sei que o desespero para sair do labirinto é imenso, e eu sei que você tenta achar a saída a todo instante. Eu sei que é desesperador. E eu também sei que isso vai passar. 
Talvez nós não encontremos a saída do labirinto. Talvez fiquemos presas nele até o resto de nossas vidas. Mas talvez nós consigamos viver em paz, mesmo trancadas nele. Não fique mal por estar presa no labirinto, flor. Fique feliz por sabermos que a convivência parcialmente amigável com ele nos manterá viva. Nos manterá sã. E é exatamente isso que nos diferencia dos outros. 
Há dois tipos de “outros”. Os Outros que não sabem que estamos em um labirinto, e os Outros que não sabem de nosso pequeno segredo para a sobrevivência nele. E os Outros enlouquecem por isso. Enlouquecem mais que nós, mais que todos.
Então, flor, saiba que quando tudo estiver ruim, significa que você errou o caminho para a saída. Significa que bateu de frente a uma parede fechada. Mas saiba também basta dar meia volta e continuar andando. 
Temos toda a vida pela frente, flor, e diversos caminhos pelo labirinto. Estamos apena em sua entrada para desistirmos.
Com grande carinho,
B.P.

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