sábado, 29 de dezembro de 2012

Duplo lamento

Não era recíproco, mas eu o amava.
Eu sempre havia sido a terceira, quarta, última opção. E nesses tempos de bebedeira, eu era a única boba que atendia o celular às três da manhã. Eu era a única boba que aguentava os gritos e os lamentos de um bêbado degradado. Era a única que aguentava as brigas no bar. Em troca, ganhava alguns beijos sem sentimento, uma fodinha horrorosa e um sorriso tristonho. Logo após esses prêmios maravilhosos, ele virava e dormia o sono dos bêbados.
Enquanto isso, já deixava separado um copo de água, alguns comprimidos para dor de cabeça e muito amor.
Sabia que nunca ganharia nada em troca, que nunca teria seu amor. Então, eu simplesmente cuidava dele. Acalmava sua mente o suficiente para que ele caísse no sono, e acariciava seu cabelo, mesmo sabendo que em sua cabeça os pensamentos eram dedicados para outra. Se ele se lembrasse de olhar para mim, veria toda a cena. Ele chorando por alguma mulher linda e imbecil no meu colo. Eu o consolando e chorando por ele.
Talvez eu não fosse digna de seu amor. Talvez ele não fosse digno do meu. O que importa é que nunca ficaremos juntos. E eu era só mais uma boba apaixonada.



Nota boba da autora: São 02h34 da madrugada. A junção não dormir + tristeza está me trazendo resultados satisfatórios na escrita. E peço, por favor, que deixem algum comentário. Morro de curiosidade em saber quem lê, e as respectivas opiniões. Sugestões de tema também me alegrariam muito. Enfim. Eu disse que era boba.

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