quarta-feira, 26 de junho de 2013

Adeus

Essa é a história de como eu morri.
Para ser sincero, ainda estou vivo. Mas não por muito tempo. Para resumir, estou em uma nave neste exato momento. E digamos que não estou vendo estrelas ou algum planeta. Não estou maravilhado com a vista e muito menos exaltando a grandiosidade do universo. Estou olhando para um asteroide três vezes maior que minha nave e pensando como queria ser outra pessoa. Qualquer um.
Tenho provavelmente dez minutos restantes de vida. Tento pensar que estou salvando a Terra e provavelmente vou para o céu por estar sendo tão bonzinho, mas não consigo manter essa linha de pensamento por mais de três segundos. É difícil não pensar na morte quando se está vendo seu rosto.
Eu queria gritar e dar um completo escândalo. Ninguém me avisou que eu morreria. Sei que minha morte será rápida. Não devo sofrer nenhuma dor física, mas no momento a psicológica está acabando comigo. Pelo amor de Deus! Eu não sabia que morreria sozinho do espaço. E nem ao menos me despedi de minha família. Minha filha, minha esposa, meus pais. Eu sempre me imaginei morrendo velho, aposentado (mas não parado) e com vários netos. Não me imaginei morrendo em uma missão. Não fazia a menor ideia de que morreria aqui. Ninguém me comunicou isso.
Pelo menos eu vou para o Paraíso. E se não for para lá, vou para o Purgatório. Seria uma grande e horrível brincadeira de Deus se eu morresse para salvar um planeta inteiro e fosse para o inferno.
Não consigo parar de tremer. Essa coisa está se aproximando cada vez mais. Agora eu consigo gritar. Não que eu quisesse, mas simplesmente percebi que estava gritando no meio do ato.
Vão comemorar minha morte. Tudo isso explodirá como fogos de artifício -EU explodirei como fogos de artifício- e vão comemorar. Eu sempre pensei que fosse mais forte que isso.
Estou em completo desespero. Nunca me descontrolei tanto em toda a minha vida. Estou encharcado de suor. Minhas mãos completamente sem rumo tentam se agarrar a alguma -a qualquer coisa-. Acabo me machucando, e só percebo quando vejo sangue em minhas unhas. Apertei meu braço forte demais e nem ao menos reparei isso.
Fiz um último sinal da cruz, mais por costume do que por fé e fechei os olhos. Sei que não me resta mais nada. Inspiro profundamente o último ar que me resta.
Eu acabei de salvar sua vida, leitor. Agora, adeus.

Um comentário:

  1. Uow :O

    Me arrepiei no: "Pelo amor de Deus! Eu não sabia que morreria sozinho do espaço."

    hihihi apaixonada <3

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