Leandro simplesmente
apareceu lá. Não fora para aquele lugar porque queria. Muito menos acordou lá.
Em um segundo estava no carro (estava conversando com alguém no celular, disso
se lembrava. Só não sabia com quem), e, no outro, lá.
Não sabia onde o lá era.
Não sabia nada sobre o lá. Fora parar ali como que em um passe de mágica e
estava sentado em um chão feito de pedras cinza. O lá era um corredor preto
iluminado com tochas na parede.
-Mas que lugar é esse, meu
Deus?
Levantou-se do chão e
pegou uma tocha, só por precaução. Não sabia se ia para a direita ou esquerda
do corredor. Passou uns belos minutos virando o rosto tentando achar uma
resposta. Por fim, decidiu i para a esquerda.
Não andou por muito tempo.
Parou assim que ouviu uma voz.
-Eu vim desse lado. Não
tem nada, não.
Era uma mulher. Baixa,
loira e feia, mas tinha uma aparência
tão simpática que Leandro automaticamente se afeiçoou a ela. Parecia cansada e
triste, mas nada a impedia de seguir em frente e achar o fim do corredor.
Andaram em silêncio por bastante tempo em completo silêncio, até que por fim a
mulher se pronunciou.
-Eu eestava voltando para
casa, sabe?tinha ido para a igreja. Estava caminhando tranquilamente, e quando
virei a esquina... ela virou esse corredor.
-Eu sei. Foi assim comigo
também.
Continuaram andando.
Percorreram longos quilômetros até começarem a ouvir vozes.
-Esse é MEU!
-Mas, veja bem. Ele se
arrependeu.
-Não importa. Você sabe
que é pura conversa dele. Você não pode estuprar alguém e ir para o céu.
-Nomes? –disse uma voz bem
a frente deles. Estavam tão atordoados com a conversa que nem aso menos
perceberam a existência de um portão e uma pessoa-. Nomes? Ah, tudo bem.
Entrem.
OS portões –enormes, duas
vezes a altura de um homem alto, e de ouro- se abriram e eles entraram.
Era uma sala imensa. As
paredes eram todas de ouro e –de novo- iluminadas por tochas. Era ocupada por
bancos de madeira, e na parte principal havia cadeiras altas e decoradas. Havia
centenas de pessoas nos bancos, todas quietas e com olhares profundos.
Na cadeira principal havia
um homem velho, de cabelos compridos e barba branca. Ao seu lado havia um
elegante homem de terno preto. Magro, alto, jovem e bonito. Do lado deles havia
mais um homem, mas ele era comum e simples. Um desses homens que se vê quando
se anda na rua.
-Vocês. Aqui no banco da
frente, por favor –disse o homem comum-. Hmm... Não, melhor não. Aqui, de pé.
Na minha frente, depressa.
-Nomes? –disse o homem
velho. Sua voz era grave e extremamente alta.
O homem comum verificou
seus papeis por um momento antes de falar.
-Leandro de Assis e
Carolina Mendes, Senhor.
-Causa da morte?
-Morte? Oi? -disse
Leandro, que foi completamente ignorado.
-Acidente de carro. Olhe
só, que coisa. Carolina estava voltando a pé da igreja e foi atropelada por
Leandro, que estava falando no celular. Ele morreu na hora, mas ela agonizou
por alguns minutos antes de morrer. Pelo o que vejo aqui, a deixamos
inconsciente, Senhor, pois não merecia sofrer.
-Eu sabia que celular era
uma péssima ideia, mas hoje em dia ninguém mais me escuta. E sobre ela?
-Ótima mulher. Temente a
Ti, cuidava da família, ajudava a todos que podia. Nunca roubou, matou, traiu e
sempre quis o bem geral. Não há dúvidas sobre a sentença de nenhum dos dois.
-Um a um, então? –disse o
jovem elegante.
-Temo que sim. Dessa vez
não há escolha.
Leandro se assustou,
principalmente quando viu Carolina sendo levada para outro portão perto do
homem velho.
-Mas e eu? E eu? O que
está acontecendo? Por favor, me expliquem!
-Você morreu –disse o
homem comum-. Morreu e matou uma moça com um grande futuro pela frente. E por
isso vai para o inferno.
-NÃO! Deus? Ajude-me,
Deus. Por favor.
-Você fez suas escolhas,
filho. Teve uma longa e ótima vida, e nunca se lembrou de mim. Nunca agradeceu
sua vida, a vida de seus queridos ou alguém bem que conseguiu. E, depois de me
desprezar por toda a sua vida, matou uma pessoa. Eu sinto muito, meu filho,
muito mesmo. Mas você fez suas escolhas. Guardas? Levem-no.
-Mas, e o arrependimento?
Eu não tive tempo de me arrepender! Eu me arrependeria de tudo, meu Deus!
-Cometer erros imaginando
que está tudo bem porque no final haverá o perdão é uma das piores coisas que
alguém pode fazer. Próximo?
-Lara de Holanda, Senhor.
-Causa da morte?
-Fome e desidratação. A
garota foi sequestrada e morreu vinte anos mais tarde, ainda refém. Não há
dúvidas, Senhor.
-Droga! –disse o jovem
elegante.
-Posso perguntar mais uma
coisinha?
-Diga, filho.
-Se ele é o Diabo, por que
é tão jovem e bonito?
-Nós nos transformamos em
qualquer coisa. Muitos pensam que eu sou assim –e dizendo isso se transformou
em uma coisa vermelha, monstruosa, e com chifres- ou assim –dessa vez se
transformou em uma mulher nua. Os cabelos compridos escondiam os bicos dos
seios, mas ainda era uma mulher extremamente sensual, com olhos que mostravam
puro desejo-, e na verdade eu sou várias coisas. Tudo depende de qual é o maior
medo ou ambição da pessoa. ,as normalmente eu sou assim: um homem que acabou de
se transformar em um adulto, rico, educado, elegante e bonito. As pessoas não
esperam maldade das coisas bonitas. E é tão mais fácil seduzir uma alma assim.
Você mesmo caiu no meu truque. Esse homem que sou é tudo que você sempre quis
ser.
-Então... Por que você não
faz isso também, Deus? Transformar-se em alguém jovem e bonito para conquistar
mais almas?
-Eu gosto das almas
verdadeiras. Gosto de quem merece e conquista o céu. Seria fácil demais,
Leandro. Certas coisas merecem ser conquistadas.
E sendo esse o fim da
conversa, dois guardas o pegaram pelos braços.
-Não precisa. Eu vou
sozinho.
Mas não adiantou:
continuou sendo puxado. Leandro caminhou para sua última casa, e nessa
caminhada observou as pessoas do banco. Com exceção de sete pessoas, todas estavam
tristes, pálidas e com rostos sérios. Não conhecia ninguém de lá.
Os guardas abriram os
portões pretos e o empurraram. Era um corredor todo preto, e quanto mais
andavam, mais quente ficava. Quando pensou que fosse derreter, os guardas o
pararam.
-Chegamos. Boa-sorte. Você
vai precisar.
Empurraram-no para dentro,
e então teve a certeza de que derreteria. O inferno era cheio de fogo, sim, mas
não havia pessoas queimando. Eles
estavam presos em um círculo de fogo.
-Qual seu nome?
-Eu... não sei.
Pouco a pouco foi se
esquecendo de quem era e porque estava ali. Sabia que iria apanhar, ver alguma
cena que ainda o deixaria horrorizado e apanharia mais. Era a rotina daquele
lugar.
Talvez ser queimado pela
eternidade era melhor do que as torturas que sofria e era obrigado a ver.
Um dia, sem ao menos se
lembrar de que era, pensou: “Vou ser o primeiro a fugir daqui”.
N.A.: Esse texto é meio velho e eu nunca postei por vergonha, nem sei ao menos de quê. Só resolvi postar porque o coitado do blog tá hiper parado. Vamos resumir com: tá difícil pra caralho conseguir escrever esses tempos. É isso. Beijoca.
um dos meus favoritos agora <3 socorro, bom de mais. jeg elsker dig
ResponderExcluiroi, linda, obrigada <3 amo você <3
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