sábado, 24 de novembro de 2012

Ela era loira e tinha os olhos mais verdes que já havia visto. Cheirava à vinho barato, cigarros e baunilha. Seus lábios, pequenos e delicados, tinham gosto de batom, cigarros e álcool.
Parecia delicada por ser tão pequena, até que desatava a falar com aquela voz fina e poderosa. Falava sobre como queria ser, sobre como deveria ser o mundo perfeito, sobre o futuro, sobre o labirinto.
Queria ser professora para ensinar crianças deficientes. Queria pessoas com atitude no mundo. Queria que não houvesse labirinto algum. Queria parar de sofrer.
Era a garota mais linda que eu já havia conhecido. E a mais triste também. Falava sobre morte, sobre o desespero, sobre os fantasmas que habitavam sua vida.
Quando a conheci, queria que ela me amasse. E ela me amou. Não o suficiente, sem conseguir superar meu amor, mas amou. E então me deixou.
E eu só queria que ela estivesse aqui, como amiga ou amante. Só queria nós dois deitados juntos sob o luar, bebendo vinho barato, fumando e lendo poesia.
Talvez se ela soubesse a intensidade do meu amor, teria ficado. Então eu a espero. Sempre a esperarei.

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