Natalie e Marcos namoravam há dois ou três anos. Não sabiam, já haviam perdido as contas. Eram o exemplo perfeito de namoro sem sentimento.
Ela era rica, e ele inteligente, julgados sempre como um casal perfeito. Mas não se gostavam. Natalie até se apaixonou no início, mas logo viu quem ele realmente era.
Ela sempre se perguntava porquê ainda não havia terminado o namoro. E a resposta era sempre a mesma: "E por que não continuar?"
Até que um dia Natalie encontrou a resposta. Foi quando apanhou pela primeira vez. Os dois estavam brigando -e ela nunca conseguia se lembrar do motivo- e Natalie ameaçou terminar a relação. Instantaneamente, Marcos a esbofeteou no rosto. Disse calmamente que se eles terminassem ou ela contasse sobre o ocorrido para alguém, ele a mataria.
E Natalie suportou um namorado que a bate e a ameaça constantemente por tempo suficiente. Até que um dia se cansou. Comprou uma arma e algumas balas. Não sabia atirar, mas imaginava que não poderia ser tão difícil assim. Saindo da loja, passou em um restaurante japonês -o favorito de Marcos- para comprar comida, e o convidou para almoçarem juntos.
Marcos foi. Comeu. Bebeu. Bebeu mais um pouco. Era aquele tipo de homem que fica agressivo quando bebe. Sua voz foi aumentando. Suas palavras começaram a ficar cada vez mais grosseiras e Natalie, assustada, se levantou. Marcos não gostou. Gritou que ela era uma cadela arrogante, riquinha de merda. Então deu-lhe um soco no olho. Natalie gritou. Tentou correr mas não conseguiu: Marcos a agarrou. A mulher, em completo desespero, estava longe da arma. Pegou a faca que estava na mesa e enfiou na mão de seu opressor.
Então correu. Pegou o revolver que estava em uma gaveta na sala e voltou para a cozinha, que estava vazia. Quando deu por si, Marcos a agarrava por trás. Apavorada, mirou no pé de Marcos, que caiu. Sem pensar, Natalie mirou a arma para o peito de Marcos. Atirou duas vezes e o deixou. Foi em completo desespero para seu quarto. Separou uma mala com algumas roupas e dinheiro.
Planejava conquistar uma vida inteiramente nova.
Bruna, adorei esse texto, de verdade. No começo, confesso, não levei muita fé, achei que era algo clichê, e depois, confesso também, achei que era mais um texto tentando pegar um assunto polêmico pra ter conteúdo.
ResponderExcluirMas no fim, não achei nada disso. Suas palavras me levaram de uma tal forma, que eu não consegui me desprender até chegar o fim. Era como se elas me carregassem e falassem 'vai, continua que o texto é bom'. E é mesmo! Adorei, de verdade, e adorei no que você se baseou, essa coisa de namorados que batem e tal, e como as mulheres ficam e a que ponto tudo chega. E adorei o fim!
Continue escrevendo que você vai longe.
Sinceramente,
Lívia
(mais uma fã)