Na busca por território e mais poder, os que mais sofriam eram os inocentes, os trabalhadores que acordavam às cinco da manhã para ir até uma grande fábrica para ganharem mixarias.
E esse era o caso de Ana. Parou de estudar com treze anos para poder trabalhar. Eram tempos difíceis. Hoje, com 16, ainda trabalhava em uma fábrica que produzia alimentos "falsos". Como saladas, frutas e carnes se tornaram raros, as industrias precisaram inventar um novo tipo de alimento. A carne falsa era a mais desejada, e consequentemente, a mais cara. O falso arroz e o falso macarrão eram os mais comuns. Ninguém sabia do que realmente eram feitos. Só sabiam que eram tão nutritivos quanto um punhado de terra. Enfim. Ana trabalhava em uma dessas fábricas junto com sua mãe antes das Grandes Guerras. Hoje a menina e a mãe viviam em um abrigo, dividindo o espaço com mortos e quase mortos.
Em um dos bombardeios, sua casa fora atingida quando apenas sua mãe e irmã estavam na casa. Laura morreu na hora. A mãe perdeu as pernas quando o telhado desabou. O pai havia as abandonado logo após o nascimento de Laura. Costumava brincar que sua vida era uma tragédia, até que tudo realmente virou uma tragédia com as Grandes Guerras.
Ligou o rádio. Ouviu que havia a certeza de um novo ataque se não houvesse a desistência de algum país X envolvido na guerra. O rádio também informou que estavam pensando em uma guerra envolvendo bombas nucleares.
Desceu as escadas e viu como a cidade estava. Simplesmente não era uma cidade. Estava vendo simplesmente poeira, destroços e corpos. Sua casa se fora há muito tempo, mas provavelmente ainda estava do mesmo jeito que a cidade: um caos.
Só voltou para o abrigo quando ouviu a marcha dos soldados seguida de tiros. Se um país não conseguisse ser o melhor, ninguém seria.
Sabia que em breve seria o fim.
Obs. Tema sugerido por uma anônima. Quando descobrir o nome dela atualizo aqui rs
Obs. Tema sugerido por uma anônima. Quando descobrir o nome dela atualizo aqui rs
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