terça-feira, 21 de maio de 2013

Desabafo

Minha mãe costuma dizer que tenho a mente aberta demais. Sou a favor de coisas que ela nunca seria capaz de aceitar: casamento homossexual, a (quase) completa liberdade, aborto, feminismo. Ela, na verdade, diz que eu deveria lavar mais louças ao invés de tentar espalhar minhas ideias feministas (coisa que faço bastante) pelo mundo.
Tentei colocar em prática a sugestão de minha progenitora. Tentei ficar quieta e ver o rumo que a vida tomaria sem minha intervenção. E acho que não preciso dizer que não gostei desse tal rumo. Do contrário, esse texto não existiria.
Sei que há pessoas que não toleram certas atitudes e pensamentos; afinal temos a liberdade de escolha e gosto. Mas, o que eu realmente não entendo, é a falta de respeito e a intolerância que tenho visto.
Esses dias ouvi algo que me deixou extremamente irritada e perturbada: "sou super tolerante com gays. Tenho até um colega que é e ele é superlegal. Mas não é natural. É errado. Eu não seria, sabe? Mas sou super tolerante".
Eu, essa mera escritora clamando por um pouco de respeito, também não seria. Creio que não se pode escolher sua sexualidade (e se eu estiver errada, imploro perdão) em um momento. Não imagino alguém sentado no sofá pensando "hoje o dia tá tão chato que vou até parar de ser gay". Enfim. Não é porque você é hétero que tem o direito de a repudiar gays.
E é exatamente isso que acho que todos deveriam entender: o pensamento "eu não sou, então deve ser errado" é uma das piores ideias que alguém pode ter. Você não precisa ser gay para apoiar o casamento gay, não precisa ser mulher para apoiar o feminismo. Só precisa ter um pouquinho de cabeça e pensar nos outros.
Quanto mais eu ouço que não preciso tentar mudar o mundo com minhas ideias, mais vejo que preciso continuar a espalhar esses pensamentos. Se você é contra uma opinião, um determinado tipo de pessoa, uma religião, por favor: não seja. Só respeite e tente se alegrar por outras pessoas estarem felizes.
"Mais amor, por favor"  


(Um pouco diferente do que costumo postar aqui, mas me agradou. Espero que pelo menos uma pessoa no mundo pense em certas atitudes depois de ter lido, espero não ter escrito em vão. Sei que o blog está meio abandonado, mas não desisti dele. A escola e meus irmãos têm me cansado um pouco, mas nada que me faça desistir. Obrigada pela atenção)

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Pessimismo

Decidiu olhar para o mundo como ele é. E se decepcionou.
Decepcionou-se com tudo. Percebeu as mentiras, a falsidade. Percebeu a ganância, o conformismo, a hipocrisia, o preconceito. Foi se deprimindo.
Viu que não tinha amigos para confiar ou alguém para amar completamente. Mas depois foi se esquecendo: percebeu que há problemas maiores.
Sofrer. Olhar, sentir e sofrer. Sofrer cada vez mais. Se desesperar com os próprios problemas, com os problemas dos conhecidos, com os problemas desconhecidos de pessoas que não fazia ideia da existência.
Chorar, dormir, acordar, lembrar-se do sofrimento e chorar. Por mais que tentasse, não conseguia melhorar.  Por mais que se esforçasse, o mundo parecia um lugar frio e cruel, cheio de injustiça e solidão.
Então, o fim.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

You had me at hello

São três da manhã e eu, sem muito o que fazer, comecei a pensar em você. Em seu rosto, seus olhos, sua boca, suas costas, seus calos nos dedos de tanto tocar baixo. Em seu sorriso, em você gritando "ai!" pra assustar alguém. Pensei em como você é quando se sente feliz, quando se sente triste.
Eu, que sempre fui estúpida e grosseira, sinto-me em um livro de poesias. Apaixonando-me novamente a cada dia que passa. Apaixonar-me por cada detalhe diferente.
São três da manhã e estou me sentindo mais feliz do que me senti durante horas, apesar de estar sozinha em meu quarto. Lembranças de um -vários- beijos. Todos seguidos de um sorriso mostrando os dentes. Lembranças do toque, do olhar, do cheiro.
São três e quinze da manhã e cá estou eu pensando em como é possível me apaixonar todos os dias pela mesma pessoa.

domingo, 6 de janeiro de 2013


Gosto de amar do meu jeito. Amar desesperadamente, desenfreadamente.
Amar.
Amar sem limites, com muito drama, sofrimento, desejo.
Amar você inteiramente. Ser teu pão, ser tua comida, todo amor que houver nessa vida. E algum trocado pra dar garantia.
Gosto de amar assim. Você, eu e a vida.
Nós dois, matando a sede na saliva, corpo explodindo de desejo.
Gosto de amar assim. Com todo amor que houver nessa vida.
Gigia pediu pra fazer um texto inspirado em Todo amor que houver nessa vida. Tentei.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Duplo lamento

Não era recíproco, mas eu o amava.
Eu sempre havia sido a terceira, quarta, última opção. E nesses tempos de bebedeira, eu era a única boba que atendia o celular às três da manhã. Eu era a única boba que aguentava os gritos e os lamentos de um bêbado degradado. Era a única que aguentava as brigas no bar. Em troca, ganhava alguns beijos sem sentimento, uma fodinha horrorosa e um sorriso tristonho. Logo após esses prêmios maravilhosos, ele virava e dormia o sono dos bêbados.
Enquanto isso, já deixava separado um copo de água, alguns comprimidos para dor de cabeça e muito amor.
Sabia que nunca ganharia nada em troca, que nunca teria seu amor. Então, eu simplesmente cuidava dele. Acalmava sua mente o suficiente para que ele caísse no sono, e acariciava seu cabelo, mesmo sabendo que em sua cabeça os pensamentos eram dedicados para outra. Se ele se lembrasse de olhar para mim, veria toda a cena. Ele chorando por alguma mulher linda e imbecil no meu colo. Eu o consolando e chorando por ele.
Talvez eu não fosse digna de seu amor. Talvez ele não fosse digno do meu. O que importa é que nunca ficaremos juntos. E eu era só mais uma boba apaixonada.



Nota boba da autora: São 02h34 da madrugada. A junção não dormir + tristeza está me trazendo resultados satisfatórios na escrita. E peço, por favor, que deixem algum comentário. Morro de curiosidade em saber quem lê, e as respectivas opiniões. Sugestões de tema também me alegrariam muito. Enfim. Eu disse que era boba.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Desejos

Sou uma mulher que quer sempre mais. O melhor, o mais bonito, o mais gostoso. Todo o amor do mundo. 
Sou uma mulher de paixões arrasadoras. Nunca me apaixonei e fiquei feliz. Minhas paixões são destruidoras, desesperadoras. 
Quero tudo. Quero o toque, o beijo, o tapa. Quero tudo desesperado, mostrando todo o desejo mantido num mero corpo. 
Eu quero mais, muito mais. Muito mais amor, muito mais desejo, muito mais riso. Ou, exemplificando: quero sempre alguém que eu ame desesperadamente, sentir o desejo de ter o toque da pessoa. Olho com olho, pele com pele, pé com pé. Quero achar que vou morrer se não conseguir o toque, se não conseguir saciar o desejo. E então, deitar na cama suspirando, até que por fim conversemos e rimos. 
E é exatamente isso que as pessoas precisam. A paixão, o desejo. Querer mais, sempre mais, muito mais.

Cartas

Valinhos, 28 de dezembro de 2012

Caro eu,

Sentir-se sozinha é algo horrível. Mas espere, caro eu. Tudo passa.
Eu sei que não estais bem esses tempos. Sei que está mal, que chora quando está sozinha, mas espere. A vida nunca foi, e nunca será fácil, minha flor. Mas, graças a ela, você uma hora ou outra passará momentos maravilhosos, criando lembranças incríveis para serem contadas para seus filhos e netos.
Você, minha flor, está andando no deserto nesse momento. Então aproveite essa pequena -ou longa. Como saberemos?- passagem por essas areias para pensar. Em você -em nós-, na vida, nas pessoas, no futuro. O deserto, apesar de ruim, abrirá mais ainda sua cabeça para a vida. Passando por ele, você encontrará respostas para certas coisas, como por exemplo, quem são seus amigos. O que você quer da vida. Como você continuará vivendo.
E lembre-se do melhor: após um deserto, sempre há algo maravilhoso esperando por ti. Um copo d'água. Um abraço do irmão. Um beijo cheio de desejo. Um sonho que está sendo realizado.
Você, minha flor, só tem dezesseis anos. O que quero dizer? Simples. Está apenas nos seus primeiros desertos. Mas não desanime. Fique feliz, aguardando o outro lado.

Um grande beijo.
B.P.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Desprezava o mundo, desprezava a vida. Sentia uma tristeza infinita, um eterno cansaço por procurar sua felicidade.
Chorava. Não aguentava mais sofrer. Motivo, não tinha. A única coisa que sabia era que doía. E muito. O suficiente para querer sumir, virar um outro alguém, explodir, morrer.
Estava degradada. Não sentia nada além de tristeza. Já havia parado de tentar sentir isso. De nada adiantaria.
Solidão. Era desesperador sentir o que ela sentia. Era desesperador ver o mundo assim; Tão ruim, tão cruel.
Angústia de ser quem era. Queria ser normal, aceitar as tragédias de um jeito mais fácil.
Dor. A eterna dor. Dor que comia seu íntimo. Dor que rastejava a procura de alegria para transformá-las em mais dor.
Desespero. Não aguentaria mais um segundo daquilo.
Então, mais nada. Então, o fim.

(Tema sugerido pela minha amiga Juliana)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Era o quinto dia de Lara sem comida ou água. Os suprimentos que seu opressor entregara há dias já haviam acabado. Estava com fome e sede. Era provavelmente seu fim.
Clamava por um copo de água e um punhado de comida. Sentia a boca seca, e por mais que tentasse chorar de desespero, não conseguia.
Em todo aquele tempo mantida em cativeiro, nunca ficara tanto tempo sem ver seu opressor. Apesar de sumir por alguns dias, sempre deixara comida e água o suficiente para ela. Mas fazia tanto tempo que ela estava presa. Ele já havia envelhecido, então pode ter se esquecido. Mas será que alguém se esqueceria que sequestrou, estuporou, bateu e manteve a pessoa presa por anos e anos?
Lara, nessa greve de comida que não queria estar fazendo, cochilava e acordava a todo instante. Tentava cantar as vezes, mas a voz não saía. Se ainda tivesse o direito de usar o banheiro, coisa que perdeu em uma briga contra seu opressor, beberia água até do vaso sanitário se fosse preciso.
Deitada em sua cama, Lara pôs-se a lembrar de sua família. Seus pais, seus avós, seus amigos. Não lembrava mais do tom de voz deles, somente de algumas frases que costumam dizer em sua presença. Lembrava do "come mais, Lara. Cê tá tão magrinha" da avó, do "amigo de verdade a gente conta nos dedo, Lara" da mãe. Sua família não era formada. Sabiam ler e escrever o nome, mais nada. Exatamente por isso quiseram dar o melhor ensino possível para Lara. Imagine só o orgulho de ter uma filha que consegue escrever tudo! Enfim. Coisa que acabou depois do sequestro.
Augusto fora seu primeiro beijo, sua primeira transa, seu amante. E lembrar disso fazia com que a mulher sentisse nojo dela mesma. Seu único romance fora com seu sequestrador, seu estuprador...
Então Lara acordou mais fraca do que nunca. Não tentou levantar, não tentou juntar forças para lutar contra a morte. Simplesmente ficou deitada e esperou. Não tinha medo. Não tinha pressa. Achou até engraçado. Passara anos apanhando e sendo abusada, para então morrer de fome e sede.
Por fim, às 16 horas do dia 19 de novembro de 2028, depois de ter passado exatos 25 anos presa em um quarto sem ver o sol ou receber um abraço de sua mãe, Lara veio a falecer de desidratação.
A menina, agora mulher, que sofreu por 25 anos a solidão, o abuso e a tristeza, se foi. Quis ter um momento de descanso. Em breve sua família acharia o corpo. Em breve tentariam descobrir tudo o que havia acontecido no minúsculo quarto. Mas obviamente ninguém se importa com isso agora. O importante é que Lara teve finalmente seu descanso.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Acordou com o barulho de bombas. Sentou-se na cama e olhou ao seu redor. O abrigo, que já não era mais seguro, estava silencioso. A pilha de corpos jogados aumentava cada dia mais. Na noite anterior, quando fora se deitar, viu que havia dois montes de corpos. Pela manhã viu que agora havia três montes. Talvez tivessem morrido de desidratação, ou talvez por tiros. Doenças infecciosas e bombas eram opções descartadas para o terceiro monte, já que os corpos estavam inteiras.
Na busca por território e mais poder, os que mais sofriam eram os inocentes, os trabalhadores que acordavam às cinco da manhã para ir até uma grande fábrica para ganharem mixarias.
E esse era o caso de Ana. Parou de estudar com treze anos para poder trabalhar. Eram tempos difíceis. Hoje, com 16, ainda trabalhava em uma fábrica que produzia alimentos "falsos". Como saladas, frutas e carnes se tornaram raros, as industrias precisaram inventar um novo tipo de alimento. A carne falsa era a mais desejada, e consequentemente, a mais cara. O falso arroz e o falso macarrão eram os mais comuns. Ninguém sabia do que realmente eram feitos. Só sabiam que eram tão nutritivos quanto um punhado de terra. Enfim. Ana trabalhava em uma dessas fábricas junto com sua mãe antes das Grandes Guerras. Hoje a menina e a mãe viviam em um abrigo, dividindo o espaço com mortos e quase mortos.
Em um dos bombardeios, sua casa fora atingida quando apenas sua mãe e irmã estavam na casa. Laura morreu na hora. A mãe perdeu as pernas quando o telhado desabou. O pai havia as abandonado logo após o nascimento de Laura. Costumava brincar que sua vida era uma tragédia, até que tudo realmente virou uma tragédia com as Grandes Guerras.
Ligou o rádio. Ouviu que havia a certeza de um novo ataque se não houvesse a desistência de algum país X envolvido na guerra. O rádio também informou que estavam pensando em uma guerra envolvendo bombas nucleares.
Desceu as escadas e viu como a cidade estava. Simplesmente não era uma cidade. Estava vendo simplesmente poeira, destroços e corpos. Sua casa se fora há muito tempo, mas provavelmente ainda estava do mesmo jeito que a cidade: um caos.
Só voltou para o abrigo quando ouviu a marcha dos soldados seguida de tiros. Se um país não conseguisse ser o melhor, ninguém seria.
Sabia que em breve seria o fim.


Obs. Tema sugerido por uma anônima. Quando descobrir o nome dela atualizo aqui rs